Ficar “viciado” na comida, é possível?

Porque é que é tão difícil libertar-nos de alguns alimentos? Será que realmente existe vício por comida?

Já reparou que existem alguns alimentos que não consegue mesmo parar de comer, mesmo que não esteja a compensar nenhuma emoção?

A verdade é que alguns alimentos são tão saborosos que quanto mais os comemos mais queremos. Existem estudos feitos em animais que chegaram à conclusão que refeições ricas em açúcar e gordura provocam um fenómeno parecido com vício.

Para algo puder ser considerado um vício precisa de preencher 3 destes critérios:

1. Tolerância (necessidade de maior quantidade para atingir o mesmo efeito)

Na verdade, a comida pode atuar no nosso cérebro como uma recompensa ligada a prazer, tal como a droga, a música e o dinheiro.

Este podemos encontrar quando falamos de alimentação. Se nós pensarmos na questão de compensar as nossas emoções com a comida a verdade é que episódio atrás de episódio nós precisamos de cada vez mais quantidade para continuar a sentir que é algo prazeroso.

2. Abstinência

Este ponto não é tão comum de ser encontrado em comida, embora por vezes se vejam casos de pessoas que ao retirar os doces radicalmente acabam por sentir muitos tremores, dores de cabeça, tonturas… Embora também possa ter haver com uma má combinação alimentar ao longo do dia que os doces estavam a mascarar.

3. Usar uma quantidade maior/mais tempo do que era a intenção.

Este critério não se aplica.

4. Desejo persistente pela substância ou incapacidade de reduzir o consumo.

Este ponto é muito comum, por exemplo a mim isto acontece muito se for comer Macdonalds, eu não vou muitas vezes mas quando vou fico com muita vontade de ir mais vezes!

E com toda a certeza que também já sentiu isso com alguma comida.

5. Gastar muito tempo a procurar ou a consumir a substância.

Não se aplica.

6. Consumir a substância interfere atividades importantes.

Assim como o anterior, este também não se aplica muito, mas vejamos o último.

7. A pessoa continua a consumir mesmo sabendo dos efeitos adversos.

Este ponto vemos totalmente!

Quantas vezes um diabético sabe que açúcar não faz bem e come? Ou um hipertenso abusa do sal? Ou sabe-se que é necessário reduzir quantidades de determinados alimentos para emagrecer e mesmo não se consegue?

Na verdade, a comida pode atuar no nosso cérebro como uma recompensa ligada a prazer, tal como a droga, a música  e o dinheiro. E há refeições que são feitas para que tenhamos essa tal recompensa de prazer. Não é por acaso que quando come chocolate quer mais, que quando vai ao macdonalds quer sempre repetir. A forma como as comidas são preparadas é mesmo para causar esse prazer e, consequentemente vício.

E quanto maior for o nosso IMC (Índice de Massa Corporal), ou seja quanto mais desproporcional estiver o nosso peso para a nossa altura, menor é a resposta a esta tal recompensa. Isto é, uma pessoa com sobrepeso/obesidade precisa de mais quantidade para sentir prazer!

Mas, atenção eu não quero que fique com a ideia que não pode comer nada disso, nós podemos comer de tudo. Um emagrecimento sustentável é feito pelo equilíbrio. Mas, realmente precisamos de ter clareza para sermos capazes de dar os passos que temos de dar.

Esta questão de pessoas com sobrepeso terem uma resposta diminuída à recompensa de comer pode ser trabalhada, porque tem haver com os recetores de dopamina e isso é trabalhado através da alimentação.

Essa é uma questão que falo muito no grupo de emagrecimento, temos um encontro dedicado a falar sobre os diferentes nutrientes e como os incluir no nosso dia a dia e nesse encontro, dentro dos diferentes nutrientes, eu abordo aqueles que impactam mais o emagrecimento. E, claro, que esse conhecimento aliado à mudança consistente de comportamentos permite um resultado mais duradouro. 

Já ouvir falar sobre grupos de emagrecimento? Veja aqui alguns testemunhos!

Bem se Queira, sempre!

Drª Patrícia Costa